segunda-feira, 22 de setembro de 2008

National Gallery, em Londres, anuncia finalistas de concurso de retratos

Retrato do magnata da mídia Robert Murdoch feito por Tom Stoddart que concorre a prêmio em Londres


A galeria National Portrait Gallery, em Londres, anunciou os quatro finalistas de uma competição que premiará novos talentos da fotografia. O prêmio Taylor Wessing Photographic Portrait 2008 selecionou 60 retratos de um total de mais de seis mil imagens inscritas por 2,5 mil fotógrafos de todo o mundo. Um dos finalistas é um trabalho da fotógrafa britânica Lottie Davies, que retratou na fotografia "Quints" o pesadelo de uma mulher que sonha estar grávida de quíntuplos.
Outro destaque da competição é o retrato "Murdoch Reflects", do fotógrafo Tom Stoddart. Na imagem, o britânico retrata o magnata da mídia Robert Murdoch em seu escritório na companhia News International. A imagem ilustrou uma matéria da revista "Time" sobre sua aquisição, por US$ 5 bilhões, da Dow Jones & Company. O vencedor do prêmio, que será anunciado em 4 de novembro, receberá 12 mil libras (R$40 mil). As fotos selecionadas ficarão em exposição no National Portrait Gallery de 6 de novembro até 15 de fevereiro do ano que vem.

http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/09/22/ult2242u1732.jhtm

http://diversao.uol.com.br/album/bbc/taylor_wessing_photographic_album.jhtm

domingo, 21 de setembro de 2008


Karl Marx manda lembranças

CESAR BENJAMIN

O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas

AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de
Modern economies have created a new conception of wealth. It is no longer a question of disposing of use-values, but it is necessary amplify numerical abstractions. dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação. Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria. Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade. Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo. O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.

CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

São Paulo, sábado, 20 de setembro de 2008, FSP, Dinheiro

DA INUTILIDADE DA POESIA

"A poesia seria cúmplice, desde o início, desse sentimento que se chama amor. Eu acho que é uma coisa perfeitamente lógica, natural, porque a poesia, se vocês olharem bem, ela é o amor entre os sons e os sentimentos. Ela já é na sua substância, intrinsecamente, ela já é amor, já é aproximação, no sentido que é amor entre os sons e os sentidos, num sentido que a prosa não é. É por isso que a poesia não morre. Por que essa coisa tão inútil que não consegue sequer se transformar decentemente em mercadoria num mundo mercatório, esse mundo em que vivemos? Qualquer editor principiante sabe: poesia não vende. Existe esse hiato, realmente poesia não vende, e é bom que não venda! Sabe aqueles que reclamam dizendo, é um absurdo, um país como o nosso, não sei o quê, tchê, tchê, pá, pá, e poesia não vende. Vamos nos rejubilar. Poesia não vende. Poesia é ato de amor entre o poeta e a linguagem. E esse é um território como se fosse assim uma reserva ecológica do mercado em que vivemos que resiste ao fato de se transformar em mercadoria. Não é uma infelicidade e nenhuma inferioridade da poesia escrita, falando da poesia escrita, da poesia, escrita, da poesia livro, a dificuldade dela em se transformar em mercadoria é uma grandeza. Quem não entender isso não entende a verdadeira natureza da poesia, ela é feita de uma substância que é, basicamente, rebelde à transformação em mercadoria. A gente pode criar um mundo assim, um império total da mercadoria, tudo pode ser vendido, coisas, sensações, as coisas mais incríveis, os momentos mais emocionantes. Uma coisa, porém, não pode ser transformada em mercadoria, que é o amor. Amor é dado de graça, alguém pode comprar amor? Pode-se comprar o sexo de outra pessoa, mas o amor a gente sabe que é o último reduto que resiste à transformação em mercadoria.”

Paulo Leminski
em “Poesia: a paixão da linguagem” em Os Sentidos da Paixão (Cia das Letras)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A dinâmica dos meios de comunicação

A sociologia de Bourdieu desmascara os interesses na produção da notícia, mas também suas críticas acadêmicas mais ingênuas

Clóvis de Barros Filho

Redação do jornal inglês The Daily Telegraph: a produção da notícia não decorre de um hedonismo naif, como acreditam alguns pensadores pós-moderno (Foto/Reprodução)

Infelizmente o sociólogo Pierre Bourdieu legou poucos estudos e reflexões sobre os meios de comunicação. Apesar de uma produção abrangente que discute desde problemas relativos à estrutura do ensino ( A reprodução), passando por complicadas questões sobre o gosto, a arte ( A distinção, As regras da arte), e até mesmo tratando questões ligadas ao mercado imobiliário ( As estruturas sociais da economia), Bourdieu pesquisou muito pouco sobre a comunicação. Seu principal texto sobre o assunto foi publicado no Brasil, em livro, intitulado Sobre a televisão. Texto este muito aquém de seus outros trabalhos. Tanto no número de páginas, quanto no rigor de pesquisa e na profundidade do assunto. Coube então aos seus discípulos, engajados no campo da comunicação, usar as ferramentas oferecidas por ele para o estudo da mídia.
Partindo dos referenciais teóricos de Bourdieu, podemos afirmar que o gosto, determinante de nossas inclinações aos atos de consumo midiático, tem uma origem social. Assim como a própria produção desta. E, por essa razão, ambas devem ser objetos de investigação sociológica. Sociologia do consumo midiático. Sociologia de sua produção. Problemas intrínsecos para quem faz uso dessa maneira de ver o mundo.
Com base em A distinção (1975), de Bourdieu, podemos constatar que tanto a produção como o consumo de produtos ligados aos meios de comunicação de massa não apenas possui uma origem social. Ela também discrimina e hierarquiza seus agentes. Classifica socialmente. Diferencia o leitor da revista CULT da leitora da revista Contigo, e exclui prováveis consumidores de revistas pornográficas que utilizam papel couché fosco. O consumo de mídia é, portanto, objeto de distinção social. Assim como também discrimina os agentes sociais que trabalham nesses meios, bem como seus textos.

Teoria sobre dominaçãoA definição do que é um meio de comunicação legítimo é, assim, uma questão de primeira importância para todos os agentes do grupo social. Afinal, alguns meios dominantes, como a Rede Globo e a Editora Abril, por exemplo, pretendem conservar o status quo midiático, enquanto outros, como a Rede Record e SBT, editoras periféricas e portais de internet apostam na subversão da ordem estabelecida, isto é, da relação de forças que estrutura o espaço da comunicação. Por isso, essa relação de forças acaba se objetivando numa relação de valores. Afinal, toda a vida organizada em sociedade, a menos que se recorra à violência física, deve ser reconhecida e aceita como legítima.
Por isso, a sociologia que estuda os meios de comunicação, como proposto por Bourdieu, é indissociável de sua teoria sobre a dominação. É pela demanda de seus produtos (vulgo Ibope) e pelas manifestações dos telespectadores que os dominantes asseguram suas posições. Abre-se, aqui, todo um campo de análise dos conflitos e da violência simbólica em jogo pelos meios, na qual os dominados participam da construção de legitimidade imposta, aceitando suas posições e ratificando um tipo dominante de se fazer produtos midiáticos.Mas se a mídia é um objeto sociológico que recentemente se impõe, constitui-se num objeto de investigação particularmente dramático para o sociólogo. O consumo midiático que, de certa forma, o traduz fenomenicamente, é um imenso depósito de pré-construções naturalizadas, portanto ignoradas enquanto tais no cotidiano, que funcionam como instrumentos habituais de construção. Todas as categorias comumente empregadas na identificação de suas tendências, idade - jovens e velhos -, sexo - homens e mulheres -, renda - ricos e pobres -, são contrabandeadas do senso comum, pelo discurso científico, sem muita reflexão. Alem disso, o padrão de quem avalia um produto televisivo, por exemplo, é o padrão enraizado pela trajetória social desse avaliador nas suas experiências com os diversos programas de televisão com que teve contato desde a infância.
Essas categorias de análise do produto midiático fazem parte de todo um trabalho social de construção de grupo e de uma representação desse grupo infiltrada na ciência do mundo social. É o que explica tanta facilidade de adaptação. Facilidade exagerada, talvez. Aceitas as categorias, listas e mais listas de dados estão à disposição do pesquisador para confirmação ou refutação parcial. A investigação sobre as inclinações de audiência deste ou daquele nicho - respeitados os critérios estatísticos de amostragem - ganham aura de constatação científica. A indiscutibilidade desse tipo de resultado legitima procedimentos e suas premissas. Encobre seu caráter arbitrário. Isso porque as escolhas técnicas, as mais aparentemente empíricas, são inseparáveis das escolhas de construção de objeto, as mais teóricas. Logo, explicar a produção dos meios de comunicação através de dados de audiência, tiragem, assinantes, cliques, e quantidade de anúncios recai num equivoco grave que só é justificado pelo imaginário do senso comum.

"Um jornalista escreve para outro jornalista"O campo de produção de conteúdos midiáticos tem regras próprias que se encontram em seus próprios agentes e nas suas relações com os demais. No meu livro O 'habitus' na comunicação, mostro como a produção jornalística é fruto de um habitus jornalístico, utilizando o jargão de Bourdieu, onde os critérios de fato jornalístico e de pauta não são meras estratégias burguesas de dominação, como diria um marxista, mas sim frutos de uma interiorização da aprendizagem jornalística. Interiorização esta que aprende a ver o mundo segundo uma determinada importância, classificada em certas editorias jornalísticas (primeira página, cidade, esporte, internacional etc.), pensa numa quantidade "x" de caracteres, e avalia a matéria segundo as observações de seus pares. Como nossos pesquisados confessam, "um jornalista escreve para outro jornalista". Assim como em nossas pesquisas sobre o campo publicitário, feitas na Escola Superior de Propaganda e Marketing, escutamos constantemente entre os dominantes a mesma observação: "Minha propaganda se impõe contra meu concorrente... Apesar de existirem as exigências do briefing imposto pelo contratante, nossa equipe está pouco preocupada com a recepção do público final. Só nos interessa o que nossos colegas vão dizer".
O forte apego à pesquisa de campo, exigência central feita pela sociologia de Bourdieu, desmascara não só o discurso interessado dos agentes da comunicação mas também o senso comum acadêmico que avalia a mídia segundo "achismos". Ao constatar que o discurso de um jornalista, ou de um relações públicas, não é em nenhum momento pautado pelos critérios "idealistas" de transparência, objetividade, neutralidade e democratização do conhecimento, constatamos que tais produções são frutos de um jogo de desejos. As matérias são selecionadas e escritas visando atingir interesses os mais diversos, determinados pela posição do agente no campo. Sem altruísmos e sem pensar no "bem comum", apesar de seus discursos identitários.

Jogo da comunicaçãoNem mesmo os publicitários, tidos como manipuladores, estão interessados no bem de seus clientes ou dos consumidores. No que se refere aos discursos acadêmicos dominantes sobre a comunicação, a sociologia de Bourdieu, através de uma pesquisa de campo rigorosa, expõe as ingenuidades e os erros que perspectivas marxistas e pós-modernas fazem da produção midiática. Há, sim, interesses envolvidos na fabricação de uma notícia, como ambos denunciam. Mesmo nesta matéria que eu escrevo, denunciando os interesses. Porém, o comunicador não é movido por uma ideologia burguesa para a dominação de massa. A reunião de pauta das grandes mídias não é, em nenhum momento, uma reunião de porcos asquerosos que visam camuflar a exploração capitalista e combater a ameaça comunista até seu total extermínio, posição esta compartilhada por muitos acadêmicos da "velha guarda" e por jovens, cheios de hormônios, que habitam os centros acadêmicos.
A produção da notícia, ou da propaganda, também não é fruto de desejos individuais que querem se expressar em toda sua "força" visando sua satisfação e fluidez, característico das ditas "sociedades pós-modernas" de consumo. Não é o hedonismo naïf o "combustível" que move os comunicadores de diversas áreas, como querem acreditar os pensadores pós-modernos. São desejos complexos de aceitação no campo, disputa e dominação que estão em jogo. São os troféus dos campos e suas posições de destaque e dominância o fim último da produção de notícia. A "preocupação" com o leitor, telespectador, ou consumidor é somente uma desculpa para justificar seus acertos ou fracassos. Respeitar o "bem" da empresa que contrata o comunicador é somente uma mera desculpa para se manter empregado e continuar jogando o jogo da comunicação. Jogo esse com regras bem claras, mas quase nunca expressas.
Por essas duas razões, a sociologia de Pierre Bourdieu encontra dificuldades em se estabelecer no mundo acadêmico e mercadológico. Os métodos de investigação, e seus resultados, desmancham os mecanismos de defesa de ambos os campos. Desmascara os agentes da comunicação e os interesses acadêmicos mais sórdidos. Ao encarar tanto a produção da noticia ou publicidade e sua crítica voraz como produtos de consumo recheados de interesses, essa sociologia cria inúmeros inimigos. Nesse sentido, imita seu próprio criador. Odiado em vida por muitos e admirado por muito poucos.

Clóvis de Barros Filho é professor livre-docente da ECA/USP

Leia mais no dossiê sobre Pierre Bourdieu da CULT de setembro, já nas bancas:
Uma introdução a Pierre Bourdieu, por Maria da Graça Jacintho Setton
Articulações inovadoras entre ciência e política, por José Sérgio Leite Lopes
Hierarquias da cultura, por Ilana Goldstein
Bourdieu e a educação, por Ana Paula Hey e Afrânio Mendes Catani

http://revistacult.uol.com.br/website/news.asp?edtCode=62086FC5-CC50-4461-A8FC-09B94427C868&nwsCode=49CBBDB1-2E31-45F8-B5E1-887569A2C49A

domingo, 7 de setembro de 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA - SARAMAGO

Hoje fui presenteada com o cinema-arte do Fernando Meirelles em sua adapatação do romance de Saramago, Ensaio sobre a Cegueira. Uma manhã de domingo, um 7 de setembro sem louvores à Pátria, uma sessão de cinema que quase não aconteceu, afinal a programação anunciada no jornal local inseriu erroneamente a Cegueira às 10h45. Mas a fila de pessoas que preferiram não ir à praia aquela hora foi prontamente atendida. Começa o filme. Nas 2 horas que se seguiram, um misto de atuações brinlhantes, narrativa emudecedora, fotografia precisa e direção primorosa deram vida ao texto contundente de Saramago. Há pouco a se dizer quando o apelo sensível nos põe luz branca e intolerável em nossas miopias humanóides. Há momentos em que evadir-se da sala de projeção parece ser a melhor escolha. Não enxergar, nada. Flutuar sem versos pelos dias previsíveis, docilmente. Estourar os miolos das palavras e deixar que seus restos vaguem pelas bocas dormentes e insensatas. Meirelles me traz de volta a vontade de chegar ao final do filme. Não é que lhe restem esperanças. Trata-se apenas de não perdê-la. E o silêncio dos que sairam da sessão, a falta de fome, a votade de um café com sorrisos, lembranças de beijos doces, voltar para casa e dormir, dormir, dormir... e continuar passo vivo teimoso de caminhar! Abri a caixa de mensagens e me deparei com uma notícia vergonhosa de que ontem, no dia 06/09, em desrespeitosa assembléia geral, a CUT aprova ladinamente a criação de um "novo" sindicato de professores das universidades federais (http://www.andes.org.br/imprensa/ultimas/contatoview.asp?key=5255). Irônico que a lucidez poética do filme me faça perceber que o pior cego é mesmo aquele que não se enxerga. Viva Saramago!

Confiram os links:
http://www.youtube.com/watch?v=12zOOaLBlnE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=gZYI5v4ScHI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=4XDmsXWlDqE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=KukaoWu00Uw&feature=related

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Justiça proíbe imitação da voz de Lula em programa de rádio do Ceará

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u439040.shtml

KAMILA FERNANDES, da Agência Folha, em Fortaleza

A Justiça Eleitoral decidiu proibir a veiculação de supostos depoimentos do presidente Lula em favor de dois candidatos a prefeito no interior do Ceará. O motivo é que as gravações eram falsas, feitas por um imitador que buscava reproduzir, além da voz, até as figuras de linguagem que o presidente costuma usar.

A fraude aconteceu nos municípios de Granja (a 353 km de Fortaleza) e Acopiara (a 345 km). Nos dois casos, os candidatos são coligados com o PT e já usam a imagem do presidente Lula em seu material de campanha impresso.

No rádio, porém, decidiram colocar uma fala falsa do presidente. O texto é muito parecido nos dois casos, com Lula cumprimentando todos com o tradicional "companheiros e companheiras", afirmando que "nunca na história desse país se fez tanto para melhorar a vida das pessoas" e declarando apoio ao candidato da coligação --em Granja, Romeu Aldigueri (PPS); em Acopiara, o prefeito Antonio Almeida (PTB).

Nos dois casos, a voz é a mesma, do imitador apelidado de Fox. O responsável pelas duas campanhas também é o mesmo: o cientista político Fabner Utida, de Fortaleza.
Ele afirmou que não houve a intenção de enganar os eleitores com a imitação. "Em nenhum momento o locutor se identificou como o presidente Lula e a própria imitação em si não é das melhores, dá para perceber nitidamente que é uma imitação", disse. "Fizemos isso em tom de humor, como tantos humoristas fazem, para dar um tom alegre à campanha", afirmou.

A Justiça Eleitoral entendeu que nos dois casos a fala pode levar o eleitor a um engano, e por isso determinou a retirada do ar. Ainda assim, segundo Utida, outros candidatos com os quais ele nem trabalha o procuraram nos últimos dias para também fazer uma versão do depoimento de Lula. "Mas agora estamos com muita cautela", afirmou. Sem poder usar o falso Lula, Utida disse que, pelo menos no caso de Aldigueri, já tem outras gravações, inclusive em vídeo, para colocar no ar, com declarações dos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Ideli Salvatti (PT-SC) em favor do candidato. "Mas esses são de verdade", disse.